Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012
Considero-me uma pessoa tolerante, alguém que respeita as escolhas dos outros, mesmo não concordando com elas. Nesse sentido acho que a discriminação racial, sexual ou religiosa é algo de inaceitável nos dias de hoje, tendo em conta toda a história da humanidade, particularmente de alguns dos seus mais tristes episódios.
Não posso no entanto concordar que ao procurar que as diferenças sejam aceites naturalmente, que as mesmas diferenças deixem pura e simplesmente de existir – um homem branco é diferente de um vermelho; um homossexual é necessariamente diferente de um heterossexual. São diferenças naturais, tão naturais que devem ser aceites como tal. Julgo que não podemos fazer de conta que essas diferenças não existem.
É um tema sensível. Tenho amigos e conhecidos que têm uma cor de pele diferente da minha ou, por escolha ou não, têm uma orientação sexual diferente da minha. Nunca me passou pela cabeça tratá-los de forma diferente por causa disso, nem acho que me tratem de forma diferente por ser diferente deles nesses aspectos. E a diferença termina aí, não determina nenhuma diferenciação no tratamento, mas não é por isso que deixa de existir.
Poderá discutir-se se é será ou não natural que dois homens ou duas mulheres se relacionem. Indiscutível é a impossibilidade de dois pares do mesmo sexo conseguirem naturalmente ter filhos. Houve hoje uma proposta em discussão na Assembleia da República que propunha que casais homossexuais pudessem adoptar crianças, proposta essa que foi chumbada. Por muito ténues que sejam as diferenças, elas existem. A tolerância e o respeito pelas diferenças não fará com que sejamos todos iguais, quanto mais não seja pela própria definição de diferença.