Domingo, 27 de Maio de 2012
Mesmo nas últimas horas da exposição, decidi no final do trabalho visitar a exposição sobre o aqrquitecto e urbanista Nuno Portas, sugestivamente chamada “O Ser Urbano – Nos Caminhos de Nuno Portas”. Fiquei igualmente a conhecer o espaço da antiga Fábrica ASA, requalificado para Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura.
Ao longo da serpende de expositores é passado em revista o percurso longo, de 50 anos, de um dos mais influentes arquitectos portugueses e, arrisco dizer, o mais importante urbanista português dos últimos 100 anos. Exposição consegue de forma clara fazer perceber os estádios da carreira de Portas, desde que ainda se formava na Escola de Belas-Artes do Porto.
O início da sua carreira como arquitecto foi dedicado à arquitecura de uma forma mais lata. Desta fase foi apurando as questões relacionadas com a habitação, tendo sido um defensor da ideia de que a habitação deveria ser um direito de todas as famílias e que o Estado deveria ser responsável por garantir a habitação condigna à sua população.
Estas preocupações, o processo de investigação permanente no terreno, culminaram no Verão de 1974 com a criação do SAAL – Serviço Ambulatório de Apoio Local, onde já como Secretário de Estado da Habitação e Urbanismo, procura pôr em prática o que vinha construindo.
Depois foi alargando a escala das suas intervenções, tendo-se o urbanismo e as cidades tornado os centros da sua atenção como investigador, professor e ensaista, mas sempre tendo como elemento essencial a função das cidades como suporte de uma população, associada à sua função habitacional.
Nuno Portas, foi consultor do primeiro Plano Director Municipal de Guimarães em 1993; coordenou o alargamento do Campus da Universidade de Aveiro e estudou aquilo que viria a ser a Expo 98 e, mais importante talvez, aquilo que deveria ser o pós-Expo 98.
Naturalmente, haverá aspectos mais controversos, com os quais não estarei de acordo. Por exemplo, a sua defesa, a propósito da Revisão do Plano Director Municipal de Guimarães, de que o território se deve organizar ao longo das infra-estruturas existentes o que, na minha opinião, irá favorecer a ocupação do território ao longo das estradas e saturar ainda mais as vias de comunicação, que têm uma função clara e específica.
No final passei quase duas horas no Espaço ASA, esquecendo a hora de jantar.