Dumas e d'Outras Diário

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Dia #116 de 2012

Publicado por Paulo Dumas em 27/04/2012
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Sexta-feira, 27 de Abril de 2012
Para mim a pior parte de envelhecer não é sentir que o corpo se altera, que a pele se enruga, que os cabelos começam a nascer brancos. Essa é uma coisa que logo se interioriza e desde cedo nos habituamos à ideia de que isso irá acontecer e por isso quase nem estranhamos. Já custa mais perceber que à medida que envelhecemos, perdemos algumas capacidades e faculdades, deixando de poder fazer aquilo que fazíamos quando tínhamos dezoito ou vinte anos.

A parte que mais me custa na evidência que é envelhecer, é perceber que a frequência com que nos cruzamos com pessoas amigas e conhecidas em funerais é cada vez maior. À medida que o tempo passa, as pessoas que envelhecem como nós vão desaparecendo e quanto mais o tempo passa mais pessoas vão desaparecendo e mais depressa. É como se aos poucos fôssemos ficando sozinhos neste mundo e isso assusta-me bastante.

Por vezes, penso que gostaria de morrer primeiro do que as pessoas que mais gosto, só para não passar pelo sofrimento de as perder para sempre. Claro que essa será a mais egoísta das ideias que se pode ter, já que, se eu fosse primeiro, tal não iria resolver o sofrimento das pessoas que cá ficam.

A morte do Chico Pereira foi das primeiras notícias que recebi hoje pela manhã. Fiquei chocado e perplexo, refugiando-me numa possibilidade de não ser a pessoa que conheci. Conheço o Chico desde puto, devido à afinidade que as nossas famílias têm. Era apenas dez anos mais velho do que eu. A consternação era constante ao ler as notícias ao longo do dia, que confirmavam aquilo em que não queria acreditar.

O Chico foi-se embora e não quis saber do sofrimento dos que cá ficam. Estou triste e chateado com ele por isso, mas isso passa. Quero que ele esteja bem agora, seja lá onde for. Eu cá, fico com a certeza, cada vez mais clara, de que quanto mais o tempo passa, mais eu fico sozinho neste mundo. Descansa em paz Chico, talvez nos possamos encontrar um dia.

Dia #114 de 2012

Publicado por Paulo Dumas em 25/04/2012
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2012
O Dia da Liberdade fez de Portugal um país melhor, mas terá feito de nós piores portugueses.

Dia #113 de 2012

Publicado por Paulo Dumas em 24/04/2012
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Terça-feira, 24 de Abril de 2012
Do nervosismo já não me lambrava bem, já que havia muito tempo que não pisava um palco. Mesmo tendo ensaiado um par de meses, há sempre algo indescritível que impede que as coisas não corram como nos ensaios.

Foi feita a apresentação do espectáculo que vinhamos preparando há alguns meses, dedicado ao Dia da Revolução que se assinala amanhã. O auditório dos Bombeiros Voluntários esteve bem composto, embora não cheio. O evento foi organizado de forma tripartida entre o MAT (Movimento Artístico das Taipas, associação à qual pertenço), o Núcleo de Estudos 25 de Abril e ainda pela Taipas Termal – a marca associada às termas das Caldas das Taipas e que financiou o evento, originalmente pensado para os Banhos Velhos, mas que teve de ser feito no auditório dos Bombeiros devido à chuva.

À mesma hora acontecia, a poucos metros, na Escola Secundária, a Sessão Solene da Assembleia Municipal, também evocativa do 25 de Abril. Aqui estavam os engravatados, no Auditório dos Bombeiros estavam os desfraldados, com a barba por desfazer – o que não deixou de ser caricato.

Passamos em revista várias músicas do reportório de José Afonso – “Maria Faia”, “Os Vampiros”, “Vejam Bem”, entre outras; e revisitamos igualmente Sérgio Godinho e Vitorino. No final terminamos com “Grândola – Vila Morena”, todos juntos a cantar em palco. Eu não consegui ver porque estava atrás de todos a fazer uns rufos na bateria, mas contaram que havia caras emocionadas na plateia. No final, o evento teve o sucesso que esperávamos, em grande parte devido à entrega e empenho do pessoal do MAT.

Dia #100 de 2012

Publicado por Paulo Dumas em 10/04/2012
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Terça-feira, 10 de Abril de 2012
Tive hoje a minha avaliação de desempenho. Como em todas as avaliações dificilmente se está de acordo quanto ao valor da nossa prestação. Então quando se trata de uma avaliação de um chefe, raramente a nossa prestação corresponde às expectativas criadas a nosso respeito, ou seja, o chefe tem sempre que dizer e nunca está totalmente satisfeito com o nosso esforço. A entrevista durou três horas e saí de lá com a cabeça em água. Apesar disso a minha nota acabou por não ser má. Foi até boa.

Dia #97 de 2012

Publicado por Paulo Dumas em 07/04/2012
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Sábado, 7 de Abril de 2012
Aos sábados de tarde, o meu pai costuma ir com os seus amigos (que em parte são também meus amigos) para aquilo que ele chamam de lanche “ajantarado”. Isto significa que é um lanche que se estende até à hora do jantar, enquanto se falam de coisas triviais à mesa e se dizem umas piadas. Esta é uma oportunidade sobretudo para estar com o meu pai e para descobrir umas tasquinhas onde se comem uns petiscos apetitosos.

Desta vez tínhamos encontro marcado num restaurante em Pevidém, perto de Guimarães. É um local que não é fácil de encontrar por falta de sinalização. Já ali tinha estado há uns anos e, por isso, com recurso à minha memória, lá dei com o local. Pedi um naco de carne grelhado com um arroz de feijão. Tudo feito na hora. Antes, foram servidos uns aperitivos, correspondendo à parte do lanche.

Será escusado dizer que saí de lá com uma barrigada descomunal. Isto é, plenamente satisfeito tanto com a qualidade, como com a quantidade. Estes sítios não são restaurantes no sentido formal do termo, alguns deles só funcionam mesmo nestas alturas e outros fazem parte de comissões fabriqueiras das paróquias. Nestes casos, o espaço funciona na base do voluntariado e as receitas vão para as obras da Igreja. É sempre comida tradicional portuguesa (não há nada tão tradicional quanto um arroz de feijão vermelho acabado de fazer), confeccionada segundo preceitos também eles tradicionais. Vale sempre a pena, pela comida e pela companhia.

Dia #94 de 2012

Publicado por Paulo Dumas em 04/04/2012
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Quarta-feira, 4 de Abril de 2012
Mais uma sessão de ensaios para o programa que estamos a preparar para o 25 de Abril. A data está a aproximar-se e as coisas estão a ganhar forma. “Que Amor Não Me Engana” e “Venham Mais Cinco”, ambas de José Afonso, ganham uma nova vida com uns arranjos novos que lhes demos. Sempre tocante é “O Primeiro Dia” do Sérgio Godinho, que ganha uma dimensão muito introspectiva, numa roupagem instrumental etérea. Vais ser preciso silêncio para perceber esta ao vivo.

Dia #92 de 2012

Publicado por Paulo Dumas em 02/04/2012
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Segunda-feira, 2 de Março de 2012
Durante a habitual reunião que se faz às segundas-feiras para a preparação do Barco Rock Fest, comuniquei aos meus colegas que não estaria disponível para continuar a colaborar neste projecto. Pelo menos de forma tão activa como antes.

Foi uma decisão difícil de tomar e mais difícil de comunicar. Todas as pessoas presentes são meus amigos, alguns deles iniciaram esta aventura desde 2006, na altura em que levantámos o primeiro Barco Rock Fest. A satisfação de participar num projecto ambicioso, com as pessoas que gostámos era a melhor coisa.

Houve grandes momentos ao longo destes seis anos todos eles vividos sempre de uma forma intensa. Porém, com o tempo, o gosto que me movia foi esmorecendo ao mesmo tempo que a minha disponibilidade para acompanhar o projecto, que cada vez requer mais tempo, vem sendo cada vez menor. Acho que no trabalho voluntário, quando o gosto e o entusiasmo se desvanece, deixa de fazer sentido mantermo-nos no projecto, sob risco de o podermos inclusivamente prejudicar.

Em 2012, Guimarães é Capital Europeia da Cultura. Por um lado o desafio é grande por haver muita atenção sobre tudo o que se faz, por outro lado há recursos que não existiam em edições anteriores, o que me deixa um pouco mais tranquilo, mesmo que o apoio dado ao festival nunca seja o ideal ou aquele que, quem o faz, entende que deveria ter.

O meu afastamento das grandes decisões no andamento do festival não significa que não vá acompanhar com atenção o que se vai passar. Ficarei obviamente a torcer para que os meus amigos consigam levar o barco a bom porto e estou certo que o farão.

Dia #91 de 2012

Publicado por Paulo Dumas em 01/04/2012
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Domingo, 1 de Abril de 2012
Estou a borrifar-me para o futebol em particular. Não suporto é aldrabões de uma forma geral. Já alguém se deu ao trabalho de contar as vezes que isto aconteceu (um jogo importante, empatado até à última e um pénalti mesmo a calhar)?

Dia #88 de 2012

Publicado por Paulo Dumas em 29/03/2012
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Quinta-feira, 29 de Março de 2012
Fui para lá do Marão. Cabeceiras de Basto, Arco de Baúlhe, Mondim de Basto, Vila Real, Amarante, Lixa são cidades horríveis. Todas elas têm um centro quase irrepreensivelmente tratado e bonito. Casas antigas, algumas delas bem restauradas. Praças e ruas pavimentadas e mobiliário urbano de última geração. Tudo à volta é um amontoado de betão desconexo.

Isto fará concluir que o que se construiu nos últimos trinta anos é um disparate pegado. “Para lá do Marão, mandam os que lá estão”, mas infelizmente este mal não é exclusivo daqui, em todo o país se replicam disparates atrás de disparates. Há lugares que parecem esquecidos e isso, em parte, é o melhor que lhes pode acontecer, pelo menos enquanto não se aprender a tratar bem a arquitectura rural e a criar espaços públicos vibrantes e cheios de vida.

Dia #87 de 2012

Publicado por Paulo Dumas em 28/03/2012
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Quarta-feira, 28 de Março de 2012
Tenho um grupo de amigos que gosta de música, que fez ou ainda faz parte de uma banda e que por isso sabe tocar um qualquer instrumento. Eu toco bateria e há quem saiba tocar guitarras e cantar minimamente afinado. Recebemos um convite para preparar uma apresentação de músicas relacionadas com o 25 de Abril, para depois tocar nos Banhos Velhos.

Estamos a ensaiar algumas músicas de José Afonso. Quase todo o repertório desta época vai ter à obra de José Afonso, embora haja outros autores daquela época que são incontornáveis – José Mario Branco, Ary dos Santos ou Adriano Correia de Oliveira, entre outros. Contudo, a grande parte do alinhamento será de músicas de José Afonso, talvez por serem as mais conhecidas por todos. Estamos também a preparar uma música que foi cantada pelo Paulo Carvalho – “E Depois do Adeus”, que ficou muito célebre na noite da revolução.

O facto de as músicas serem conhecidas não significa que sejam fáceis de tocar. Serão fáceis de cantar apenas com acompanhamento de uma viola, mas quando se junta uma secção rítmica, o caso muda de figura, porque a métrica das palavras nem sempre encaixa em formatos rítmicos simples.

À medida que vamos trabalhando as músicas vão soando melhor. Esta é uma boa forma de nos divertirmos, ao mesmo tempo que fazemos algo que adoramos. É sempre um bom bocado de tempo que passamos juntos.

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